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terça-feira, 1 de março de 2011

Acredito que não acredito

Temos todos uns lápis no coração pronto para gravar o mistério da vida

Em cada passo, o nosso coração recebe mais um raio desta luz que dá vida ao sol

A mão da consciência tem que ser muito leve, para não perturbar as sensíveis pétalas frescamente abertas pelo desabrochar sem fim desta rosa que se eleva no jardim onde se cultiva o coração.

Se, por acaso, os contornos da vida se perdem, não é por que deixam de existir, mas sim por serem cobertos de tantas pétalas que o sopro da vida desfolhou.

Por me sentir homem:

não acredito num oceano sem ondas,

não acredito na carícia do vento sem temporal,

no canto das folhas das árvores sem o sopro que um dia as levará,

não acredito neste barro que me deu forma, sem aceitar que um dia, é nele que o meu corpo se dissolverá.

Ainda que os meus pés procurem o caminho perdido, não consigo desenraizar a vida das nossas dores.

Mais ainda do que o mistério da vida é o mistério da morte, do sofrimento, do ódio e da violência.