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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

11 de Novembro


Mundo de pedra e de rocha,
Na agonia de quem se sente preso,
Da minha vontade te quebrei.
Sangra agora coração meu
Rasgado pelas tuas vivas arrestas
Sofrendo na triste alegria de viver 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na boa disposição da minha loucura


O escutar do vazio encheu-me com tanta bugiganga
que tive de arrumar o sótão da minha memória.
Dei um passo por cima do espaço sem tocar no tempo,
e rompi o véu da ignorância emergindo no eterno não-saber.
Duma risada humana, estremeceu o absoluto no receio de ser reconhecido,
e a vertigem da oscilação fez-me sentir
esfera que gira e roda dentro de uma outra esfera
que vira e volta numa similar esfera em rotação
à volta de si próprio e dos mundos esféricos
onde são contidas as esferas em movimento.
Neste redemoinho, fui buscar água ao poço para encher a jarra da prosperidade,
mas tinha tanta sede, que quando cheguei... já a tinha bebido. 

domingo, 2 de outubro de 2011

O primeiro átomo


Quando se quebrou a semente que deu início à criação?
Para que lado foste tu, átomo, se o espaço ainda não tinha direcção?
Feriste a eternidade, e de uma gota de sangue criaste o tempo
Golpe no meu seio porque agora sofro saudades tuas e não aguento
Nascemos da mesma mãe e queria estar ao teu lado vagabundo irmão
Levas tu a boa nova, porém pró pão sou eu que estendendo a mão

Por vezes, olho para o céu e procuro-te em vão
Foges do espaço, pois sabes que ele é prisão
Mas eu aqui fico com as mãos serradas nas grades
A única saída, é rasgar o peito e enche-lo de verdades
Mas elas são com flores colhidas que murcham
E na sombra do meu ser sei que não adianta ser bruxo  

Não leves a mal se aqui te rogo um pouco de ternura
Procuro-te no véu das trevas onde rasgas uma abertura
Infinito que me dá graça dum sentimento que não consigo medir
Início da aventura da alma do mundo que aprende a se despir
E, enquanto me vejo envergonhado por vestir o trajo da luz,
Descubro que o “eu” presente na matéria em opacidade me reduz 

sábado, 3 de setembro de 2011

De onde vens, ó vento!


Ondulante nas ondas do mar
Entre o deleite e o sofrimento
Vens do passado para o presente
Com a alma dos antigos a chorar

O teu sopro é uma eterna recordação
Na carícia do efémero desejo
Da pele que sonha de um beijo
Quando o instinto de possuir é ambição

No vale extrais a quinta-essência
De cada flor que liberta o seu perfumo
Como um presente da vida moribunda
Na hora que passa sem resistência

Convide a tua alma nua
O despir da alma minha
E do nosso contacto vinha
A minha arte a ser tua

O teu sopro que traz a vida
É o mesmo que a leva
Por caminhos traçados na terra
Em pegadas de cinza ardida

No oceano da tua memória
Se funde a memória dos seres
Assim se vão os amantes prazeres
Para os braços da tua glória

És conhecido pelo teu efeito
Nem a ti próprio te mostras
As causas infinitas são outras
E delas está o mundo repleto

domingo, 3 de julho de 2011

Bem te quero e não te encontro

Abro as portas da minha alma e entras sem eu te ver

Fecho o coração e te prendo sem saber

Vives dentro de mi quanto te procuro lá fora.

Sempre que te alcanço desvaneces e apareces
no intemporal espaço anterior à minha busca.

Quanto mais me esforço para escutar menos te oiço.

Nas minhas sombrias noites medito sobre o fino espelhos do lago

na esperanças de encontrar uma pérola de lua reluzir no teu olhar.

Quando por ventura abres os olhos para me ver, sou o teu feitiço

e cego de tanta luz me perco no insaciável fogo da paixão.

Pressentindo a tua presencia por toda a parte

não sei por onde orientar o meu passo.

Vivo num contínuo sentimento de falhar o encontro.

Como posso eu marcar hora se não existe espaço entre nós?

Do mudo mundo da arte, vem-me as tuas ondas trazer estas linhas

e depositas na minha sufocante alma um agreste sentido de eu.

Tudo fazes sem te mexer, quando alimentas o orgulho do ser

que se esquece prontamente que sem ti não pode viver.

domingo, 29 de maio de 2011

A vida

Porque não pode a vida seguir livre?

Sempre leva com ela o fardo da experiência.

Incansável substância, matriz da consciência,

ela é facto que ensina, e se ri dos livros.

Sinuosa estrada em que a chegada é partida

Sabor salino do sentimento que nos coroa ser

Conteúdo e continente que não se cansa de ter

Sopro invisível que contém a lei criativa

A vida não se mantêm cativa.

Escapa pelos dedos como água;

deixando uma sensação vaga

entre a noção e a ideia relativa

Pelo efémero sabor que deixa na alma,

intoxica avidamente o espírito da ânsia

de nos livrar do destino e da ignorância

embriagando-nos o seio de amor que acalma

Ela é a saudade presente na recordação

da mendiga mão que se estende pró fruto

do sonho cansado de ter que vestir o luto

num sombrio mundo desbotado de acção

A vida soa no corpo do espírito adormecido

e desperta-lhe a verdade que suga a letargia;

abre-lhe o trilho do destino na selva armadilha

até a clareira de luz, onde será reconhecido

Se viver é aprender…

morrerei sem saber.

domingo, 1 de maio de 2011

O poeta

Quem se dispõe a escrever um poema,

Tem de certo a alma da criança irrequieta.

Saltita já sobre as pedras do rio da boémia,

— Imaterial sentimento sobre a letra concreta.

Sem molhar os pés vê o fundo da verdade

E o fluxo transparente lhe trás inspiração

Para aquilo que alguns chamam criatividade

Mas que eu prefiro nomear: meditação.

No mundo que vejo no meu peito

Navegam em águas fora do tempo

O artista, poetas, amante e profeta

Sem porto, sem destino nem descanso.

As águas do rio se dissolvem no mar,

Mas o leito guarda o rio no seu seio.

Nunca more o poeta que sabe amar

Foi para eternizar-se em ti, que veio.

Vive para sempre nas margens do teu peito.

13 Abril 2010

O amor, que nos faz divagar, torna a vida uma eterna viagem.

Ele, não tendo fim, nos abre os seus infinitos braços

e nos eleva para os céus de terras nunca exploradas.

Porque então deixar retrair o Coração

se todo ele fala de libertação!

As asas do peito não aguentam o peso dos anos,

mas a lembrança de quem amou dá força e coragem

para se lançar no espaço mesmo que tenha de cair.

O maior desafio é amar o que não se gosta.

Nunca se ama por obrigação

porque não nos podemos obrigar a amar,

nem programar o que pretendemos amar.

O amor autêntico nasce como a água da fonte do monte,

todo ele é abundância e dom.

domingo, 3 de abril de 2011

Fala ego meu, fala!

Porque terei eu sempre de falar do sentir?

Pasmando no ego sempre pronto a iludir.

Norte, Sul, Este, Oeste; quatro paredes infinitas onde se insere a ilusão.

A mensagem que chega à foz do meu coração é bem limitada.

É o bater da dualidade.

Quando bate prazer, escoa a dor;
quando bate esperança, o sangue é eterna desilusão;
quando bate a liberdade, prendem-se-me as pernas;
quando bate a vida é para me dizer adeus;
quando bate o bater já ouço o silêncio;
quando bate o silêncio, o silêncio perturba-me.

Quando deixa de bater, vivo no não-ser.

Já não tenho o dever de ter.

Que sentido tem o desprender?

Quando deixar de existir, tudo e nada serei.

Viverei do coração do universo e:
serei a desilusão e a esperança do teu coração,
a corda que te prende e o silêncio que te rói,
a vida do ser e os segredos do não-ser.

Serei vida em ti, quando pensas “eu sou”.

Serei o pó da terra e a sua libertação,

Serei o instinto destino do insecto,
a razão da negação quando negar é solução.

Assim por tudo ser e nada viver,
voltarei a nascer.