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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Viagem de carro para Pamplona

Quando o sopro quente e frio do vento une duas nuvens, o orgasmo se faz relâmpago e rasga de luz o céu que verte a água da abundância no útero da terra - sua esposa. 

Com os olhos escancarados, deixo a luz entrar no meu corpo para iluminar cada célula. Parecia que a paisagem em movimento se reflectia pela minha alma dentro, e o coração, cheio de contentamento, tomava o néctar da verdade como alimento. 

Não faz sentido descrever o que os meus olhos vêm, por que quem tem vista, o vê também. É na alquimia do laboratório do peito, de onde se elevam vapores de sentimentos, que encontro o sentido do meu relacionamento. 

O espaço tão vasto como a consciência que o contempla expõe aos meus olhos mudos um mundo movido pelas leis do tempo.

domingo, 2 de julho de 2017

Do cansaço à poesia

Quando o cansaço abafa a chama da alegria,
descai a cortina sobre a janela do mundo,
fica a alma isolada num espaço sem via,
obrigando-a a virar-se para um poço sem fundo.

O poeta vê a beleza na luz como no escuro.
Sabe que é a vida que lhe abre e fecha os olhos.
O seu sonho, livre, passa a través dos muros.

Brinca com as estrelas que distribua aos molhos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Entre o ver, ouvir e o atender

Olha para a tua mente, que julga o inconsciente incoerente.
Olha para as balizas da almofada da preguiça.
Olha para a pedra pesada sobre a balança da palavra.
Olha sem nomear para que o espírito se possa libertar

E vê o inconsciente como criador de espaço e de tempo.
Vê no florir da existência o estremecer da indulgência.
Vê naquilo que é, o facto de que tudo é acto de fê.
Vê no ser que avança o criador e sua dança.


Ouve o silêncio cujas melodias são imensas,
Ouve o compositor que maneja a arte no amor,
Ouve o ouvinte e a sua mente que lhe mente,
Ouve a razão que sulca o campo da compaixão.

Atende o mundo que grita com a voz do mudo,
Atende a atenção que gira a chave da libertação,
Atende o sopro da vida que faz da alma um fogo,

Atende o sonho e a seiva que sobe num céu sem dono.

sexta-feira, 3 de março de 2017

É hora de ponderar

Quem surpreende o surpreendido?
Será o mar da ilusão,
que numa onda diz – “conheço”?
Voz da vida,
breve grito,
que faz eco na nave
ancorada ao porto.

Abrem-se os livros do mundo
deixando, por entre as linhas,
escapar a torrente de tormentos
que os tingiram de saber.
Mas que fica
da digestão de uma
mera representação?

A visão penetrante
não conhece reflexão.
Entra no âmago do facto,
num cristalino sentimento
Inerente ao conhecimento.
Sem o reflexo da formulação,
o saber não tem princípio nem fim. 

O “eu”, sem história nem projecto,
é músico, instrumento e sinfonia;
é pintor, é a tela e a sua cor;
é conhecedor, conhecido e conhecimento. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Reprodução

Que decepção ver o sentimento posto na gráfica da poesia. Que desencanto ouvir cantar a poesia extraída das volúpias do coração. Toda a força está posta na reprodução. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Quem Paga?

Sentado num banco de um centro comercial, vejo o mundo em movimento rodar à volta da minha paz. Que força move a gente? “É vontade” – diz o filósofo. Mas eu vejo o desejo a manipular os fios da razão. O pensamento único surge de um desejo sem fundo – mar da consciência. Antes de ser pensada a vontade é emoção infiltrada no corpo por nervos e filamentos. Instinto colectivo modelado por quem manda no mundo. O homem, quanto mais quer, mais dá a quem quer. Tira-se do irmão que paga com o suor e tira-se da terra que a todos dá amor. Quanta miséria no ser cego pelo luxo.
Ruídos, vozes, música e luz, tudo ferve dentro do caldeirão da mesma confusão. A arte de saber mostrar não choca com o fato de ter que enganar. Tudo gira à volta da aparência e da substância, para quem a analisa, nela só vê ignorância. Como na caverna de Ali Baba, o brilho do ouro roubado suja a alma lavada. Quem Paga?