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sábado, 28 de agosto de 2010

Do rebanho ao pastor

Sou parte do rebanho, e sigo, cego, o pastor
Ele leva-me para ali, e como as pegadas do seu destino
Quando apita, respondo bramindo no mesmo clamor
Cabeça pesada e olhos fitos na terra, me afundo num remoinho

Apetece-me ser chibo e marrar o meu caminho,
Mas, ele diz-me que, arisco de me perder em áridos desertos
Marro nas dúvidas, e bebo as suas verdades, caladinho
Sou o relato da imagem, que ele pintou nos meus desejos secretos.

Adormeci um dia, e sonhei ser pastor.
Puxava um gado, na cegueira de me crer livre.
No abrir do passo, fugia do meu torpor;
Tinha no umbigo, palavras digeridas dum livro

Demostrava um saber, que nunca tinha aprendido.
O orgulho ensinava-me a fingir a humildade;
Para me fazer respeitar, falava de caridade,
Mas o gado comia da terra, e eu comia do gado

Quando acordei, vim que o espírito pode levar à mentira
Que me vá pelas pegadas dos outros ou pelas minhas
Encontro no rasto da vida, a memória repentina
De que, nem eu nem o outro, mas só o tudo ou o nada é que pode libertar