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sábado, 2 de outubro de 2010

Filhotes

A minha carne, sorrindo, fica à espera do filósofo para que venha provar que estes filhos não lhe pertencem.
Reconheço o meu sangue quando ferve nas veias da impaciência e da brincadeira.
São um espelho quebrado que reflicta a luz das mil facetas do meu passado.
São a incorporação dos meus sonhos no abraço dum novo futuro.
São o sobressalto de quem acorda da ilusão que tinha da “educação”.
São a suavidade, leveza e pureza do anjo que transmite as rudes e imparciais ensinamentos da vida.
Em vós palpita um:
 Coração que ainda não conhece o aperto da armadura do guerreiro.
 Coração que brilha longe das cicatrizes e golpes do combate à sobrevivência.
 Coração delicado, como as mais tenras pétalas das flores do jardim do meu esquecimento.
 Coração de um universo que se expande, se dissolve e se recria a cada momento.
 Coração tão ínfimo mas tão profundo que atrai a luz para melhor irradiar o seu próprio mundo.
Filhotes, à espera de ser para vós um amigo, deixam-me por um pouco, me sentir... pai.