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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A natureza

Vejo a natureza a olhar para minha ideia
ciente de que o orgulho de ser observador me afasta dela.
Ela é o espaço azul que se infiltra na profundidade oceânica do meu sentimento
de onde se evaporam pérolas de pensamentos.

Vi-te riacho no monte e pela foz, contemplei-te no mar.
Flui o tempo por dentro, quando és espaço por fora.
Natureza, natural da freguesia do vazio,
derrapaste na curava cósmica da via láctea
e derramaste pelos mundos a próspera ilusão.
Bebo ao cálice da tua embriagante beleza
e sonho de ver o meu corpo rejuvenescer.
Os teus caminhos percorrem a terra da minha alma
e nos pomares do paraíso perdido, colho frutos
amargos e doces, por que na sobrevivência não se faz escolha.
Foi por ti que me perdi na selva da utopia.
Aos pés das tuas fragas, feri os meus pés sobre a rocha
sem encontrar sinais do horizonte do meu destino.
És a força da paixão e o desfalecer da desilusão.
A tua nobreza resgate o amor do meu coração
para logo o preencher com o fardo da obrigação.
Mais do que o ser, és o estado da alma do ser.
A tua grandeza inunda de nada o universo do tudo.
Modelas a alma da existência no ventre do teu feminino corpo.
Num abrir e fechar dos teus olhos, fazes aparecer e desaparecer o mundo.
Abertos ou cerrados, não há olhos que não te posem ver.
Silenciosa, por de trás da tela da consciência, produzes a imagem que atrai o ser;
destinando-o a alcançar a meta da tua própria iluminação.
Por toda a parte és luz, mas como nesse mundo perfeito
faltavam as trevas, inventaste a mente num acto secreto.
Nos campos semeados de harmonia, a tua violenta beleza
rasga de amor o peito do tolo iluminado.
Para contemplar as curvas do teu corpo e o calor da tua alma,
criaste o coração dos quadrúpedes que cobrem o teu manto de sentidos;
infundistes a vida na ave para navegar no azul espaço dos teus olhos e,
ascendeste uma chama no coração do ser humano
para apreciares o recorte do teu horizonte imaculado.
És a veste do divino criador e nas tuas dobras conténs a vida;
rolam os dados no tapete do teu corpo que tem o jeito da batota.
Traquina enganadora, o teu sensual seio provoca ao amor
Diz-me então por que motivo fizeste o ser tão impotente?