domingo, 2 de junho de 2013

O valor da representação

Qualquer pulo que nos eleva é responsável pela nossa queda;
Cada queda que nos rebaixa dá-nos a oportunidade de olhar para cima;
Movimenta-se a onda na horizontal e assim move-se o tempo que é vida.
Tantas ondas no mar, mas são poucas as que conhecem a praia.
Assim caminhamos nesta terra, entre o oceano do desejo e a praia da realização.

Nada pensar, para que o guia seja o coração.
O vazio da razão será o espaço onde o sentimento se manifesta
Como pode a ideia ter força se o sentimento não tem potência.
Na leitura do texto compreende-se a ideia mas não há tempo para viver o sentimento.
Que valor tem a formula se não é posta em prática?

Que valor tem o conhecimento se não se vive nos atos?

domingo, 31 de março de 2013

Porque não queres?

Se quisesses escrever uma poesia,
para onde orientarias a tua atenção.
Se quisesses recolher a quinta-essência do aroma da flor.
Se quisesse dialogar com senhor vento,
Mago que detêm a memoria do tempo.
Se quisesses, com a mão, amparar criança;
Recolher o dedo para não receber a aliança
Se quisesses, por um pouco, nada querer,
Irias ver que só nesse vazio é que podes receber 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Também conheço a dor

Entre o que medito e a vida que vivo
Há como uma mentira que eu não digo
Ela envolve toda a realidade do presente
E se alimenta do lixo do meu pensamento.
Que é ”ser feliz”? Pergunto ao espelho,
E o reflexo diz “há dor no mundo da gente vejo”.
Eu sou dessa gente que queria amor,
Mas sobre ele se sobrepõe o suor.
Trabalho para esquecer o sofrimento
Nasço, cresço, moro de isolamento.
Que vem do amor? Senão a dor.
Vulnerável é quem não sabe impor. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A lida da vida

A emoção que abrasa o meu coração
lembra-me que o corpo é um punho de cinza
e que viver é espalha-la pelo vento.
Passei o dia a lidar com matéria
sem tirar o espírito do éter.
O gesto feito com intenção
produz no espírito uma reação,
que esconde, no fruto que dá,
a semente de onde nasce o ato. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que valores?

A opulência da riqueza?
Que miserável ilusão!
Disse o pobre na alteza
De quem pensa ter razão

Seja o cofre da ideia
Ou o cofre do cifrão
A mão que se encontra cheia
Não se abre pró irmão

O sentimento imaturo
Que não quer arroz
Vive na escravatura
E levanta a voz

Os olhos cegos postos
Naquilo que se desfaz
Não quer pagar impostos
Mas Viver não é capaz

sábado, 1 de dezembro de 2012

A meditação

A meditação é poesia sem tema
Um puro sentimento nascido do vácuo
Que se dispersa num mundo sem cena
Longe da definição que nos torna gago

Ela é a entrega de quem deixa fazer
Num movimento de potente fluidez
Onde a vida é o facto a acontecer
Que liberta o ser da avidez

Não há meditação sem coração
Nem consciência sem subconsciente
Sem núcleo para quê realização
Todo o elemento é instrumento

A existência faz, mas não realiza
O visível e o invisível, de todas as coisas
São as margens da ponte que eterniza
O gesto e o pensamento na substância da causa

Que realidade usa o meu ser para criar?
Sei que sou instrumento, mas na mão de quem?
Sondo o enigma com a capacidade de sonhar
Mas não será infantil imaginar que é alguém?

A consciência que é espaço aberto sobre a origem
Usa a nave do mental para alcançar o transcendental
E, quando emerge no eterno não dito, ela cinge
A verdade intemporal que faz da realização o ponto final 

domingo, 4 de novembro de 2012

Ecos de um ser

Não! Não estou liberto do sofrimento, nem das dores, e se ainda me sinto iluminado é pela pequena chama que incansavelmente se consume na mágoa do meu peito. Na claridade desta penumbra percebo a rosa da vida projetada no fundo da minha carne, e, bem que sensível as caricias das suas pétalas, sinto-me preso pelos seus espinhos.
Pela força do desespero, por vezes, surpreendo-me a pensar aos que nunca chegaram a conhecer a alta exaltação de quem se uniu ao sol, pois os olhos ao fixarem o chão, não perdem o caminho.
É hora de reconsiderar a visão que tenho da espiritualidade!
Apesar de constatar que é ela que predomina na minha mente “vagabunda” e nos meus atos “distantes”, sinto, que por detrás da luz da minha boa consciência, se estende a vasta sombra do ego. Que força nos leva a rasgarmo-nos ao meio, fazendo do nosso ser o agente separador do espírito e da matéria, as duas faces da grande unidade.


Na Hungria

Quando o olhar aberto    Pousa sobre o mundo fechado    Do homem ....daqui de perto    Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado    T...