domingo, 4 de novembro de 2012

Ecos de um ser

Não! Não estou liberto do sofrimento, nem das dores, e se ainda me sinto iluminado é pela pequena chama que incansavelmente se consume na mágoa do meu peito. Na claridade desta penumbra percebo a rosa da vida projetada no fundo da minha carne, e, bem que sensível as caricias das suas pétalas, sinto-me preso pelos seus espinhos.
Pela força do desespero, por vezes, surpreendo-me a pensar aos que nunca chegaram a conhecer a alta exaltação de quem se uniu ao sol, pois os olhos ao fixarem o chão, não perdem o caminho.
É hora de reconsiderar a visão que tenho da espiritualidade!
Apesar de constatar que é ela que predomina na minha mente “vagabunda” e nos meus atos “distantes”, sinto, que por detrás da luz da minha boa consciência, se estende a vasta sombra do ego. Que força nos leva a rasgarmo-nos ao meio, fazendo do nosso ser o agente separador do espírito e da matéria, as duas faces da grande unidade.


domingo, 7 de outubro de 2012

A liberdade da poesia

Com as grades da rima e do verso
Assim mesmo a poesia é mais livre
Do que a filosofia e o seu texto
Em que a verdade formulada agride.

Ela não receia a mentira,
Sabe que a verdade também se inventa
No ego de quem não toca a lira
E carrega como formiga a ideia da semente.

Tenho em mim as duas vertentes
E o jogo entre o sol e a sombra se inverte
No espaço e no tempo, os regentes
Da ideia e do sentimento que me aperta.

domingo, 9 de setembro de 2012

Pensamento


Seja a mente transparente
Quero ver de onde nasce o pensamento.
Parece vir do fundo da alma e trazer consigo um sentimento,
Única prenda que se pode oferece ao firmamento.
Ele deixa na folha branca as suas pegadas –  
Fotografias do passado em cores deslavadas.
Emerge de um mundo onde não há desgraças,
Onde a vida semeia flores e as colhes no seu regaço.
O caminho que percorre o meu pensamento
Atravessará os vales e montes do impermanente.  
Enquanto o pensamento for natural como o campo
Ficarei feliz e tudo me será dado sem eu pedir tanto,
Mas a moral é como um câncer que nos suga o juízo
Nascido da cidade onde o medo das leis é nosso inimigo.
Pensar sobre o pensamento é virar um espelho para outro
E ver a sucessão infinita das imagens perderem-se num ponto.
Pensar pode ser vício e o pensamento o seu sustento,
Refreá-lo é por a ferve o caldeirão do condicionamento.

sábado, 28 de julho de 2012

Amar


O amor, que nos faz divagar, torna a vida uma eterna viagem.
Ele, não tendo fim, nos abre os seus infinitos braços
e nos eleva para os céus de terras nunca exploradas.
Porque então deixar retrair o Coração
se todo ele fala de libertação!
As asas do peito não aguentam o peso dos anos,
mas a lembrança de quem amou dá força e coragem
para se lançar no espaço.
O maior desafio é amar o que se não gosta,
mas não nos podemos obrigar a amar,
nem programar o que pretendemos amar.
O amor autêntico nasce como a água da fonte do monte,
todo ele é abundância e dom. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Escreve enquanto é tempo


Escreve alma minha pela mão do corpo
Escreve enquanto é dia que vem a sombra da noite
O frio alento anunciar que daqui pouco
Será hora de dormir no sonho infinito da morte

Escrever sem destino para não atrair o que é certo
Escrever para dizer que criar é viver
E na obra realizada existir para sempre
No estremecer do coração que aprende a ler

Com o punho fechado guardo o segredo destino
Das linhas do futuro emaranhadas num passado
Em que o presente se apresenta tão repentino
Que no gozo do tempo me vejo pasmado 

domingo, 3 de junho de 2012

Porque são os minutos?


Quantas estações dura o segundo na vida de uma célula?
O tempo da vida humana não chega a segundo no corpo do universo;
Ver o tempo passar pelos olhos do permanente abala a consciência.
A roda que avança e fende o espaço no tempo tem o eixo imóvel,
O relógio que fora fatiado pela mão do homem e que nos alimenta de ilusão do tempo tem o quadrante imóvel e o eixo a rodar.
Será que o espaço imóvel é atravessado pelo tempo fugitivo?
Será o espaço é paz e o tempo é movimento?
Olhar para dentro é sair do tempo e abraçar a paz,
Abri-los para fora é confrontar-te com a hora
que aponta para cova para onde vás.

Na Hungria

Quando o olhar aberto    Pousa sobre o mundo fechado    Do homem ....daqui de perto    Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado    T...