domingo, 4 de março de 2012

É fácil


É fácil ser forte
Quando se tem a sorte
De não ter de lutar
Brada o galo no ar

Viva é a ideia
No tecer da teia
Das relações relativas
E imagens pensativas

Conheço quem pouco sabe
Mas faz mais do que o frade.
No mosteiro do mundo
Ele realiza e fica mudo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mar

 Olhar meu perdido na quietude do horizonte.
Pelo infinito da tua extensão, nasce-me uma onda que me dá vida
Mal acordei que já cama da morte me abraça
Fundir-me na memória do tempo
Mesmo que eu não seja
Acompanho a violência da onda
Que rebenta na rocha.
Como o meu profundo desejo de viver.

domingo, 1 de janeiro de 2012

A herança que nos vem do mar


Quando brando, o mar é prosperidade
Estende a mão e dá tranquilidade
Mas quando raivoso afasta quem tem fome
As suas ondas são o vai-e-vem que nos consome

Quando o sofrimento se alimenta da alegria
Não há quem acredita na filosofia
Pois ele promete o sonho a quem precisa de alimento
A promessa é fermento dum pão que não enche o ventre

Mas não deixa o sonho de ter valor
Porque nem o homem nem o animal vivem sem amor
Não deves rejeitar o poeta por não ter nada na mão
A vida é curta e o que fica no fim é recordação

Como podes querer a continuidade
Se a vida nasce no mar da instabilidade
Rasga-se o coração entre o querer e o dever
A dor é a única constância na vida do ser

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

11 de Novembro


Mundo de pedra e de rocha,
Na agonia de quem se sente preso,
Da minha vontade te quebrei.
Sangra agora coração meu
Rasgado pelas tuas vivas arrestas
Sofrendo na triste alegria de viver 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na boa disposição da minha loucura


O escutar do vazio encheu-me com tanta bugiganga
que tive de arrumar o sótão da minha memória.
Dei um passo por cima do espaço sem tocar no tempo,
e rompi o véu da ignorância emergindo no eterno não-saber.
Duma risada humana, estremeceu o absoluto no receio de ser reconhecido,
e a vertigem da oscilação fez-me sentir
esfera que gira e roda dentro de uma outra esfera
que vira e volta numa similar esfera em rotação
à volta de si próprio e dos mundos esféricos
onde são contidas as esferas em movimento.
Neste redemoinho, fui buscar água ao poço para encher a jarra da prosperidade,
mas tinha tanta sede, que quando cheguei... já a tinha bebido. 

domingo, 2 de outubro de 2011

O primeiro átomo


Quando se quebrou a semente que deu início à criação?
Para que lado foste tu, átomo, se o espaço ainda não tinha direcção?
Feriste a eternidade, e de uma gota de sangue criaste o tempo
Golpe no meu seio porque agora sofro saudades tuas e não aguento
Nascemos da mesma mãe e queria estar ao teu lado vagabundo irmão
Levas tu a boa nova, porém pró pão sou eu que estendendo a mão

Por vezes, olho para o céu e procuro-te em vão
Foges do espaço, pois sabes que ele é prisão
Mas eu aqui fico com as mãos serradas nas grades
A única saída, é rasgar o peito e enche-lo de verdades
Mas elas são com flores colhidas que murcham
E na sombra do meu ser sei que não adianta ser bruxo  

Não leves a mal se aqui te rogo um pouco de ternura
Procuro-te no véu das trevas onde rasgas uma abertura
Infinito que me dá graça dum sentimento que não consigo medir
Início da aventura da alma do mundo que aprende a se despir
E, enquanto me vejo envergonhado por vestir o trajo da luz,
Descubro que o “eu” presente na matéria em opacidade me reduz 

Na Hungria

Quando o olhar aberto    Pousa sobre o mundo fechado    Do homem ....daqui de perto    Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado    T...