Fecha os olhos, e vê o estremecer da vida nas pétalas da existência.
Deixa-os cobertos, neste mundo aberto, em certezas que nada tem fim.
Descai a véu da alma sobre os olhos da paz, no filtrar da penumbra do viver.
E quando elevares o coração, baixa os olhos para o feliz encontro do amor e do amante.
Lembre-te as vezes que fechastes os olhos para acordar do sonho da mentira,
e com os olhos reluzentes de ternura, bebeste o cálix da alegria no repouso do coração.
No conchego das pálpebras, protege o teu brilhante olhar embriagado de amor.
Infinito, é o espaço que encontras por detrás do teu cismar, e infinita é a tua visão.
É cego o teu olhar amante, não por que vê tudo escuro, mas porque vê que tudo é amor.
Inclina a alma, antes de abrir os olhos, para que a alma do mundo te possa envolver.
A luz do espírito iluminara o que vêm os olhos da razão;
Sempre que actuares pela alma e abrires o coração.
Espaço aberto para a partilha do potencial criador do Ser humano, sem tabus em relação aos seus limites e defeitos.
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Filhotes
A minha carne, sorrindo, fica à espera do filósofo para que venha provar que estes filhos não lhe pertencem.
Reconheço o meu sangue quando ferve nas veias da impaciência e da brincadeira.
São um espelho quebrado que reflicta a luz das mil facetas do meu passado.
São a incorporação dos meus sonhos no abraço dum novo futuro.
São o sobressalto de quem acorda da ilusão que tinha da “educação”.
São a suavidade, leveza e pureza do anjo que transmite as rudes e imparciais ensinamentos da vida.
Em vós palpita um:
Coração que ainda não conhece o aperto da armadura do guerreiro.
Coração que brilha longe das cicatrizes e golpes do combate à sobrevivência.
Coração delicado, como as mais tenras pétalas das flores do jardim do meu esquecimento.
Coração de um universo que se expande, se dissolve e se recria a cada momento.
Coração tão ínfimo mas tão profundo que atrai a luz para melhor irradiar o seu próprio mundo.
Filhotes, à espera de ser para vós um amigo, deixam-me por um pouco, me sentir... pai.
Reconheço o meu sangue quando ferve nas veias da impaciência e da brincadeira.
São um espelho quebrado que reflicta a luz das mil facetas do meu passado.
São a incorporação dos meus sonhos no abraço dum novo futuro.
São o sobressalto de quem acorda da ilusão que tinha da “educação”.
São a suavidade, leveza e pureza do anjo que transmite as rudes e imparciais ensinamentos da vida.
Em vós palpita um:
Coração que ainda não conhece o aperto da armadura do guerreiro.
Coração que brilha longe das cicatrizes e golpes do combate à sobrevivência.
Coração delicado, como as mais tenras pétalas das flores do jardim do meu esquecimento.
Coração de um universo que se expande, se dissolve e se recria a cada momento.
Coração tão ínfimo mas tão profundo que atrai a luz para melhor irradiar o seu próprio mundo.
Filhotes, à espera de ser para vós um amigo, deixam-me por um pouco, me sentir... pai.
sábado, 28 de agosto de 2010
Do rebanho ao pastor
Sou parte do rebanho, e sigo, cego, o pastor
Ele leva-me para ali, e como as pegadas do seu destino
Quando apita, respondo bramindo no mesmo clamor
Cabeça pesada e olhos fitos na terra, me afundo num remoinho
Apetece-me ser chibo e marrar o meu caminho,
Mas, ele diz-me que, arisco de me perder em áridos desertos
Marro nas dúvidas, e bebo as suas verdades, caladinho
Sou o relato da imagem, que ele pintou nos meus desejos secretos.
Adormeci um dia, e sonhei ser pastor.
Puxava um gado, na cegueira de me crer livre.
No abrir do passo, fugia do meu torpor;
Tinha no umbigo, palavras digeridas dum livro
Demostrava um saber, que nunca tinha aprendido.
O orgulho ensinava-me a fingir a humildade;
Para me fazer respeitar, falava de caridade,
Mas o gado comia da terra, e eu comia do gado
Quando acordei, vim que o espírito pode levar à mentira
Que me vá pelas pegadas dos outros ou pelas minhas
Encontro no rasto da vida, a memória repentina
De que, nem eu nem o outro, mas só o tudo ou o nada é que pode libertar
Ele leva-me para ali, e como as pegadas do seu destino
Quando apita, respondo bramindo no mesmo clamor
Cabeça pesada e olhos fitos na terra, me afundo num remoinho
Apetece-me ser chibo e marrar o meu caminho,
Mas, ele diz-me que, arisco de me perder em áridos desertos
Marro nas dúvidas, e bebo as suas verdades, caladinho
Sou o relato da imagem, que ele pintou nos meus desejos secretos.
Adormeci um dia, e sonhei ser pastor.
Puxava um gado, na cegueira de me crer livre.
No abrir do passo, fugia do meu torpor;
Tinha no umbigo, palavras digeridas dum livro
Demostrava um saber, que nunca tinha aprendido.
O orgulho ensinava-me a fingir a humildade;
Para me fazer respeitar, falava de caridade,
Mas o gado comia da terra, e eu comia do gado
Quando acordei, vim que o espírito pode levar à mentira
Que me vá pelas pegadas dos outros ou pelas minhas
Encontro no rasto da vida, a memória repentina
De que, nem eu nem o outro, mas só o tudo ou o nada é que pode libertar
sábado, 3 de julho de 2010
Ver ou não ver? Aqui sou a questão
Vim, na minha negação de ver,
O plácido visto, a olhar para mim
Perdi-me neste espaço sem saber
De que lado se encontrava a razão
Tinha a alma esticada ao infinito
Origem comum do visto e do vidente,
Pela fome e sede do coração
Encontrei uma nova definição:
Não há isolamento no despontar da revelação
E fico com saudades do bem que me trás o mal
Lembro-me dos que rejeitam o mal por avidez do bem
Sem se saber projectados nas chamas dos desejos condenados
O plácido visto, a olhar para mim
Perdi-me neste espaço sem saber
De que lado se encontrava a razão
Tinha a alma esticada ao infinito
Origem comum do visto e do vidente,
Pela fome e sede do coração
Encontrei uma nova definição:
Não há isolamento no despontar da revelação
E fico com saudades do bem que me trás o mal
Lembro-me dos que rejeitam o mal por avidez do bem
Sem se saber projectados nas chamas dos desejos condenados
sábado, 29 de maio de 2010
O poeta
O poeta, extrai do clarão da luz que contempla,
o brilho da consciência ilimitada,
e da quinta essência da mensagem que ficou gravada,
produz, na alquimia do seu coração,
uma mensagem, que projecta na testa cega da manada,
usando a sombra das palavras e a razão.
Ele entrega o seu coração crucificado à dor,
para com ela melhor medir o valor.
Oferece a alegria aos deuses da graça,
na esperança que deixem o veneno cair da taça
livrando os lábios do excessivo fervor,
e refrescar, no seio do homem, o florir do amor.
Não há poesia que canta o que vive o poeta...
mas no silêncio, os seus olhos encantam.
Ele é o instrumento que faz soar a poesia
mas são poucos os que sabem ouvir a sinfonia.
O mundo, cego, pertence aos que mandam,
mas, ele pinta a todos, da estrela da mão que contem a paleta
Tanto vive, que se esquece de ser homem.
Tanto sofre, pelo homem que se esquece de viver
Aguenta nas costas o peso da blasfema
Vai seguro, a alma recta no incandescer,
Vivendo na cidade como numa arena,
entre tigres e leões que se querem comer
o brilho da consciência ilimitada,
e da quinta essência da mensagem que ficou gravada,
produz, na alquimia do seu coração,
uma mensagem, que projecta na testa cega da manada,
usando a sombra das palavras e a razão.
Ele entrega o seu coração crucificado à dor,
para com ela melhor medir o valor.
Oferece a alegria aos deuses da graça,
na esperança que deixem o veneno cair da taça
livrando os lábios do excessivo fervor,
e refrescar, no seio do homem, o florir do amor.
Não há poesia que canta o que vive o poeta...
mas no silêncio, os seus olhos encantam.
Ele é o instrumento que faz soar a poesia
mas são poucos os que sabem ouvir a sinfonia.
O mundo, cego, pertence aos que mandam,
mas, ele pinta a todos, da estrela da mão que contem a paleta
Tanto vive, que se esquece de ser homem.
Tanto sofre, pelo homem que se esquece de viver
Aguenta nas costas o peso da blasfema
Vai seguro, a alma recta no incandescer,
Vivendo na cidade como numa arena,
entre tigres e leões que se querem comer
domingo, 2 de maio de 2010
Não me conformo
Doce e suave sentimento que procuro encontrar
Quando me assalta o dever de ter que lutar
Mas logo que o coração diz que não
No meu rosto se espelha a tenção.
A porta não fica fechada
Nem eu fico frente a fachada
Pois entro na meditação
Que é vício da minha razão
Na sabedoria que me tornar irracional
Luto pelo universal e zombo do nacional
Vivo à margem do conformismo
Na utopia de me livrar do egoísmo
Consumo, consumo num consumismo de aquém
Esfarrapando a alma no arame das terras do além
Entro sem aviso no interdito paraíso
E partilho o fruto do proibido juízo
Quando me assalta o dever de ter que lutar
Mas logo que o coração diz que não
No meu rosto se espelha a tenção.
A porta não fica fechada
Nem eu fico frente a fachada
Pois entro na meditação
Que é vício da minha razão
Na sabedoria que me tornar irracional
Luto pelo universal e zombo do nacional
Vivo à margem do conformismo
Na utopia de me livrar do egoísmo
Consumo, consumo num consumismo de aquém
Esfarrapando a alma no arame das terras do além
Entro sem aviso no interdito paraíso
E partilho o fruto do proibido juízo
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Egocentrismo
Quando te contemplo ò flor
gozo do prazer de te ver radiante
recolho o suco do teu ensinamento
e fico dono da ideia de ser senhor
Quando o meu pé se desequilibra no seixo
me revolto contra o azar do bazar do mundo
vejo culpados em tudo o que mexe
sou a vitima do alheio e sinto-me vagabundo
Falo dos outros mostrando o que vive em mim
e estendendo no chão o ego e a sua tela
e quem vê reluzir os sinais impressos se ri
até vê-la espelho ao inclinar-se sobre ela
gozo do prazer de te ver radiante
recolho o suco do teu ensinamento
e fico dono da ideia de ser senhor
Quando o meu pé se desequilibra no seixo
me revolto contra o azar do bazar do mundo
vejo culpados em tudo o que mexe
sou a vitima do alheio e sinto-me vagabundo
Falo dos outros mostrando o que vive em mim
e estendendo no chão o ego e a sua tela
e quem vê reluzir os sinais impressos se ri
até vê-la espelho ao inclinar-se sobre ela
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