Espaço aberto para a partilha do potencial criador do Ser humano, sem tabus em relação aos seus limites e defeitos.
sábado, 3 de julho de 2010
Ver ou não ver? Aqui sou a questão
O plácido visto, a olhar para mim
Perdi-me neste espaço sem saber
De que lado se encontrava a razão
Tinha a alma esticada ao infinito
Origem comum do visto e do vidente,
Pela fome e sede do coração
Encontrei uma nova definição:
Não há isolamento no despontar da revelação
E fico com saudades do bem que me trás o mal
Lembro-me dos que rejeitam o mal por avidez do bem
Sem se saber projectados nas chamas dos desejos condenados
sábado, 29 de maio de 2010
O poeta
o brilho da consciência ilimitada,
e da quinta essência da mensagem que ficou gravada,
produz, na alquimia do seu coração,
uma mensagem, que projecta na testa cega da manada,
usando a sombra das palavras e a razão.
Ele entrega o seu coração crucificado à dor,
para com ela melhor medir o valor.
Oferece a alegria aos deuses da graça,
na esperança que deixem o veneno cair da taça
livrando os lábios do excessivo fervor,
e refrescar, no seio do homem, o florir do amor.
Não há poesia que canta o que vive o poeta...
mas no silêncio, os seus olhos encantam.
Ele é o instrumento que faz soar a poesia
mas são poucos os que sabem ouvir a sinfonia.
O mundo, cego, pertence aos que mandam,
mas, ele pinta a todos, da estrela da mão que contem a paleta
Tanto vive, que se esquece de ser homem.
Tanto sofre, pelo homem que se esquece de viver
Aguenta nas costas o peso da blasfema
Vai seguro, a alma recta no incandescer,
Vivendo na cidade como numa arena,
entre tigres e leões que se querem comer
domingo, 2 de maio de 2010
Não me conformo
Quando me assalta o dever de ter que lutar
Mas logo que o coração diz que não
No meu rosto se espelha a tenção.
A porta não fica fechada
Nem eu fico frente a fachada
Pois entro na meditação
Que é vício da minha razão
Na sabedoria que me tornar irracional
Luto pelo universal e zombo do nacional
Vivo à margem do conformismo
Na utopia de me livrar do egoísmo
Consumo, consumo num consumismo de aquém
Esfarrapando a alma no arame das terras do além
Entro sem aviso no interdito paraíso
E partilho o fruto do proibido juízo
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Egocentrismo
gozo do prazer de te ver radiante
recolho o suco do teu ensinamento
e fico dono da ideia de ser senhor
Quando o meu pé se desequilibra no seixo
me revolto contra o azar do bazar do mundo
vejo culpados em tudo o que mexe
sou a vitima do alheio e sinto-me vagabundo
Falo dos outros mostrando o que vive em mim
e estendendo no chão o ego e a sua tela
e quem vê reluzir os sinais impressos se ri
até vê-la espelho ao inclinar-se sobre ela
quarta-feira, 3 de março de 2010
Amigos e alunos
No meu papel de amigo, desculpem as minhas faltas de atenção.
No meu papel de canal, perdoem os meus delírios.
No meu papel de estrangeiro, desculpem se me sinto demasiado Português.
E se, no meu papel de propagador de liberdade, os meus pés se prendem nas redes do tempo, é para reforçar as minhas pernas à espera da hora em que poderemos caminhar juntos sobre as instáveis pedras do caminho do amor.
Como nos muros da cidade, tantos papeis colados sobre os nossos rostos. Será que um dia poderemos nos ver tal como somos?
domingo, 31 de janeiro de 2010
A paz
E acaba na mão
Só tem sentido
Quando ajuda o irmão
Rebenta a semente
À procura de luz
E incansavelmente
O sol seduz
Só se vive a paz
Quando há encontro na cruz
No centro onde jaz
Desejo e amor que nos conduz
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Criar
Ela atiça o desejo no ventre
Não há criação sem virilidade
A satisfação só se encontra
Quando já não há dualidade
Assim se despe o poeta
Vive o sentir do contacto
A sua alma é um farrapo
Rasgado pela mão do vento
No leito da linguagem do campo
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A alma do poeta
Quando para o poeta, canta e vibra a natureza para acolher a sua meditação
Quando ele fecha os olhos, tudo se apressa para fluir dentro dele e ocupar o íntimo espaço do seu coração
Quando volta as abrir os olhos, entra a luz com tanta força que projecta a sua alma para fora.
É por que tudo fala que se cala o poeta, e quando ele fala, é para ensinar a música do silêncio
Por não conhecer a mentira, ele ri e chora, e por isso, sabe convidar a alegria sem rejeitar a triste hora.
Quando nos parece que ele pensa, em verdade ele dispensa, porque sabe que o tempo dirige o tormento do vento.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Num só momento da vida humana
e é abençoado na testa por uma gota de orvalho nascida da serra.
No culto, o senhor padre levanta as lisas mãos para o céu
e no banco, adormece o fiel como se rasga o véu.
Do forno, o padeiro tira o pão quente
e no quarto, a esposa recebe o amante.
Pasta tranquilo o rebanho no campo
e apita o desespero no engarrafamento.
Luta na raiva, quem traz a dor
e dorme em paz, quem fez amor.
domingo, 23 de agosto de 2009
A existência da não existência
Brilha a vida por cima de quem não é
Poder ser eterno, é agarrar a mão da sorte
Por que o que nos é dado, nem de quem o dá é
Quem já mais fez um passo que não o leve ao passado?
Mais alargas o passo para a frente
Mais por trás se encontra o presente
Ser testemunha da vida, é ficar por detrás do sonhado
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Amigos
Se o destino destes grãos de vida é o regresso à praia cósmica, enquanto ela própria, se dissolve nas ondas do oceano da eternidade.
Se, aquilo que o meu rosto percebe não é mais do esta finíssima gota de orvalho, que ao nascer sobre o oceano a brisa levantou.
Meus amigos, então, porque estou eu aqui sentado?
Será uma resposta ao prazer, na sua irresistível necessidade de procriar?
Um desafio para minha nau, perdida nas ondas do impermanente?
Ou a fútil tentativa de escapar às redes do tempo, projectando o eco da minha vós, nas memórias do vento.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
A razão
Ordenas, computes e comparas
entre as margens do rio e o mar.
Es tão certo de ser sábio, que ignoras ser idiota
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Tempo
Quem ouve as súplicas de quem chora no isolamento?
Tudo nos dás, mas nada nos pertence
Tantas riquezas espalhadas pelo vento
Lembranças de quem tudo perdeu
Projectos de quem nada entendeu
sábado, 1 de novembro de 2008
Comunhão
Guiado por um profundo sentimento de compaixão,
o espírito reúne todas as suas forças, e, pés nus,
lentamente, arroja sobre as pedras do caminho a sua cruz
- projecção da sua ligação ao absoluto e que lhe fere o peito
no sitio onde se purifica o fogo que consume a ganância do homem.
Por fim, aqui está ele crucificado, o peito exposto a todos
E, pelo sacrifício do seu eu, entrega a mais elevada da sabedoria:
A liberdade absoluta existe, mesmo dentro das realidades mais obscuras do mundo terrestre.
domingo, 6 de julho de 2008
A noite
Nas noites do meu quintal,
Despertam pequenos roedores que se entregam ao sabor das minhas mais tenras emoções.
É na morte do dia que nasce a vida da noite.
E a vida da noite dorme nas pregas do fato do meu dia.
É ela que afunda as rugas do rosto do dia.
Os mistérios da noite escondem-se do ardor do sol na sombra dos galhos que estalam debaixo dos pés.
A sombra do dia revela-se sempre por trás de quem aceita virar-se ao sol.
Vejo-a passar no fundo do reflexo do meu olhar.
E a luz da sua prata lua, ilumina o vertente Norte do meu pensamento.
É noite! E do meu coração se vai o canto daquela minha outra vida.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Um só passo fora do tempo
Mesmo que as minhas mãos deixassem de arrancar as ervas daninhas;
chegaria eu um dia à caricia da alma do vento?
Ainda que vigiasse as minhas palavras e moderasse a minha alimentação;
chegariam um dia os meus lábios à suavidade do beijo da luz do sol?
E se tencionasse retirar-me num mosteiro e que me preenchesse de orações,
chegaria eu um dia à pureza duma simples gota de orvalho?
Mesmo se me viesse a recordação de cada um dos meus passos,
chegaria eu um dia a polir o meu corpo e alcançar a transparência do ínfimo grão de areia?
Deixem-me arder de paixão, por que eu sei que este fogo que me ilumina é o mesmo que consome a criação.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
A sinceridade
É expor o fruto do conhecimento a quem vive na fome.
É a capacidade de irradiar para as mais altas esferas da alma um pouco da dor de se sentir humano.
É não despir-se das imperfeições na hora do encontro.
A sinceridade pode não ser a verdade mas não deixa de ser o oposto da mentira.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Testamento
Tu que aqui ficas fica bem, que eu me vou.
Se, tantos como os grãos de arreia da praia se foram, porque não aceitarei eu de partir?
Vivo na alegria de me deixar morrer.
E morro de amor, abraçado ao meu único bem: um pouco de luz de um dias de verão.
Deixo-te:
O calor da minha mão naquilo em que obstinadamente me agarrei.
A suavidade dos degraus da nossa escada, que desgastei nos meus altos e baixos
O sonho daquela paz que não consegui revelar a não ser no meu próprio ser.
O remorso de ter vivido num mundo que não se deixou amar.
O estremecer da mão do mendigo que se estende sobre as nossas riquezas.
O peso do seixo no fundo do meu coração.
O amargo da fruta do nosso entendimento.
O fundo do poço da esperança, na hora em que deixei de esperar.
sexta-feira, 14 de março de 2008
A vontade
Assim voa vontade minha
Á busca da flor, seu alimento
Borboleta arrastada pelo vento
Sopro da vontade divina
Que me atira por outro caminho
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Coração, coração... escuto! Que tens tu para nos contar?
Que milagre é, que me permite, ao tocar na pedra do caminho sentir o seu canto acariciar o meu coração?
O teu silêncio vibra no meu peito como uma melodia na vida da sinfonia universal.
Quando és flor, eu não sou mais do que uma abelha à busca do teu néctar.
Quando eu sou néctar, abraces-me das tuas pétalas à espera que venham bater à porta do amor.
Quando tu e eu estamos unidos, a vida e a morte deixam de fazer sentido.
Conta-me a história daquele que por tanto lhe tem sido ensinado a rojar os pés no caminho, se esqueceu do seu mais íntimo, onde se estendem as terras de luz e se colhem os frutos da liberdade.
Recorda-te daquele que encontrou o autêntico convívio no isolamento duma simples cavidade do recanto do monte.
Mas sobre tudo, coração, não te esqueças de me lembrar que, qual que seja a luminosidade do teu céu, é para fora que esta luz está predestinada, para que o mundo que nos rodeia possa vir a reencontrar o seu autentico brilho.
30 de dezembro de 1998
Na Hungria
Quando o olhar aberto Pousa sobre o mundo fechado Do homem ....daqui de perto Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado T...
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Usando termos globais e conceitos relativos, é fácil enganar a filosofia. Quando se fala de humanidade, de universalidade ou de sociedade, ...
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Todo o movimento no espaço e no tempo serve a consciência absoluta. Impessoal, ela abraça tudo sem nada conter – nem pode ser contida. Nã...
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