Nas noites do meu quintal,
Despertam pequenos roedores que se entregam ao sabor das minhas mais tenras emoções.
É na morte do dia que nasce a vida da noite.
E a vida da noite dorme nas pregas do fato do meu dia.
É ela que afunda as rugas do rosto do dia.
Os mistérios da noite escondem-se do ardor do sol na sombra dos galhos que estalam debaixo dos pés.
A sombra do dia revela-se sempre por trás de quem aceita virar-se ao sol.
Vejo-a passar no fundo do reflexo do meu olhar.
E a luz da sua prata lua, ilumina o vertente Norte do meu pensamento.
É noite! E do meu coração se vai o canto daquela minha outra vida.
Espaço aberto para a partilha do potencial criador do Ser humano, sem tabus em relação aos seus limites e defeitos.
domingo, 6 de julho de 2008
A noite
terça-feira, 3 de junho de 2008
Um só passo fora do tempo
Mesmo que as minhas mãos deixassem de arrancar as ervas daninhas;
chegaria eu um dia à caricia da alma do vento?
Ainda que vigiasse as minhas palavras e moderasse a minha alimentação;
chegariam um dia os meus lábios à suavidade do beijo da luz do sol?
E se tencionasse retirar-me num mosteiro e que me preenchesse de orações,
chegaria eu um dia à pureza duma simples gota de orvalho?
Mesmo se me viesse a recordação de cada um dos meus passos,
chegaria eu um dia a polir o meu corpo e alcançar a transparência do ínfimo grão de areia?
Deixem-me arder de paixão, por que eu sei que este fogo que me ilumina é o mesmo que consome a criação.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
A sinceridade
É expor o fruto do conhecimento a quem vive na fome.
É a capacidade de irradiar para as mais altas esferas da alma um pouco da dor de se sentir humano.
É não despir-se das imperfeições na hora do encontro.
A sinceridade pode não ser a verdade mas não deixa de ser o oposto da mentira.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Testamento
Tu que aqui ficas fica bem, que eu me vou.
Se, tantos como os grãos de arreia da praia se foram, porque não aceitarei eu de partir?
Vivo na alegria de me deixar morrer.
E morro de amor, abraçado ao meu único bem: um pouco de luz de um dias de verão.
Deixo-te:
O calor da minha mão naquilo em que obstinadamente me agarrei.
A suavidade dos degraus da nossa escada, que desgastei nos meus altos e baixos
O sonho daquela paz que não consegui revelar a não ser no meu próprio ser.
O remorso de ter vivido num mundo que não se deixou amar.
O estremecer da mão do mendigo que se estende sobre as nossas riquezas.
O peso do seixo no fundo do meu coração.
O amargo da fruta do nosso entendimento.
O fundo do poço da esperança, na hora em que deixei de esperar.
sexta-feira, 14 de março de 2008
A vontade
Assim voa vontade minha
Á busca da flor, seu alimento
Borboleta arrastada pelo vento
Sopro da vontade divina
Que me atira por outro caminho
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Coração, coração... escuto! Que tens tu para nos contar?
Que milagre é, que me permite, ao tocar na pedra do caminho sentir o seu canto acariciar o meu coração?
O teu silêncio vibra no meu peito como uma melodia na vida da sinfonia universal.
Quando és flor, eu não sou mais do que uma abelha à busca do teu néctar.
Quando eu sou néctar, abraces-me das tuas pétalas à espera que venham bater à porta do amor.
Quando tu e eu estamos unidos, a vida e a morte deixam de fazer sentido.
Conta-me a história daquele que por tanto lhe tem sido ensinado a rojar os pés no caminho, se esqueceu do seu mais íntimo, onde se estendem as terras de luz e se colhem os frutos da liberdade.
Recorda-te daquele que encontrou o autêntico convívio no isolamento duma simples cavidade do recanto do monte.
Mas sobre tudo, coração, não te esqueças de me lembrar que, qual que seja a luminosidade do teu céu, é para fora que esta luz está predestinada, para que o mundo que nos rodeia possa vir a reencontrar o seu autentico brilho.
30 de dezembro de 1998
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
A natureza
ciente de que o orgulho de ser observador me afasta dela.
Ela é o espaço azul que se infiltra na profundidade oceânica do meu sentimento
de onde se evaporam pérolas de pensamentos.
Vi-te riacho no monte e pela foz, contemplei-te no mar.
Flui o tempo por dentro, quando és espaço por fora.
Natureza, natural da freguesia do vazio,
derrapaste na curava cósmica da via láctea
e derramaste pelos mundos a próspera ilusão.
Bebo ao cálice da tua embriagante beleza
e sonho de ver o meu corpo rejuvenescer.
Os teus caminhos percorrem a terra da minha alma
e nos pomares do paraíso perdido, colho frutos
amargos e doces, por que na sobrevivência não se faz escolha.
Foi por ti que me perdi na selva da utopia.
Aos pés das tuas fragas, feri os meus pés sobre a rocha
sem encontrar sinais do horizonte do meu destino.
És a força da paixão e o desfalecer da desilusão.
A tua nobreza resgate o amor do meu coração
para logo o preencher com o fardo da obrigação.
Mais do que o ser, és o estado da alma do ser.
A tua grandeza inunda de nada o universo do tudo.
Modelas a alma da existência no ventre do teu feminino corpo.
Num abrir e fechar dos teus olhos, fazes aparecer e desaparecer o mundo.
Abertos ou cerrados, não há olhos que não te posem ver.
Silenciosa, por de trás da tela da consciência, produzes a imagem que atrai o ser;
destinando-o a alcançar a meta da tua própria iluminação.
Por toda a parte és luz, mas como nesse mundo perfeito
faltavam as trevas, inventaste a mente num acto secreto.
Nos campos semeados de harmonia, a tua violenta beleza
rasga de amor o peito do tolo iluminado.
Para contemplar as curvas do teu corpo e o calor da tua alma,
criaste o coração dos quadrúpedes que cobrem o teu manto de sentidos;
infundistes a vida na ave para navegar no azul espaço dos teus olhos e,
ascendeste uma chama no coração do ser humano
para apreciares o recorte do teu horizonte imaculado.
És a veste do divino criador e nas tuas dobras conténs a vida;
rolam os dados no tapete do teu corpo que tem o jeito da batota.
Traquina enganadora, o teu sensual seio provoca ao amor
Diz-me então por que motivo fizeste o ser tão impotente?
Na Hungria
Quando o olhar aberto Pousa sobre o mundo fechado Do homem ....daqui de perto Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado T...
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