sexta-feira, 14 de março de 2008

A vontade

Borboleta minha amiga
Assim voa vontade minha
Á busca da flor, seu alimento
Borboleta arrastada pelo vento
Sopro da vontade divina
Que me atira por outro caminho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Coração, coração... escuto! Que tens tu para nos contar?

Leva-me para aqueles recantos, onde vagueia o sopro da minha alma, e, unindo-te à claridade que filtra pelas suaves pétalas da flore da vida, lá vais projectado para um espaço sem fim, viajando à velocidade da luz através dos jardins galácticos.
Que milagre é, que me permite, ao tocar na pedra do caminho sentir o seu canto acariciar o meu coração?
O teu silêncio vibra no meu peito como uma melodia na vida da sinfonia universal.
Quando és flor, eu não sou mais do que uma abelha à busca do teu néctar.
Quando eu sou néctar, abraces-me das tuas pétalas à espera que venham bater à porta do amor.
Quando tu e eu estamos unidos, a vida e a morte deixam de fazer sentido.
Conta-me a história daquele que por tanto lhe tem sido ensinado a rojar os pés no caminho, se esqueceu do seu mais íntimo, onde se estendem as terras de luz e se colhem os frutos da liberdade.
Recorda-te daquele que encontrou o autêntico convívio no isolamento duma simples cavidade do recanto do monte.
Mas sobre tudo, coração, não te esqueças de me lembrar que, qual que seja a luminosidade do teu céu, é para fora que esta luz está predestinada, para que o mundo que nos rodeia possa vir a reencontrar o seu autentico brilho.
30 de dezembro de 1998

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A natureza

Vejo a natureza a olhar para minha ideia
ciente de que o orgulho de ser observador me afasta dela.
Ela é o espaço azul que se infiltra na profundidade oceânica do meu sentimento
de onde se evaporam pérolas de pensamentos.

Vi-te riacho no monte e pela foz, contemplei-te no mar.
Flui o tempo por dentro, quando és espaço por fora.
Natureza, natural da freguesia do vazio,
derrapaste na curava cósmica da via láctea
e derramaste pelos mundos a próspera ilusão.
Bebo ao cálice da tua embriagante beleza
e sonho de ver o meu corpo rejuvenescer.
Os teus caminhos percorrem a terra da minha alma
e nos pomares do paraíso perdido, colho frutos
amargos e doces, por que na sobrevivência não se faz escolha.
Foi por ti que me perdi na selva da utopia.
Aos pés das tuas fragas, feri os meus pés sobre a rocha
sem encontrar sinais do horizonte do meu destino.
És a força da paixão e o desfalecer da desilusão.
A tua nobreza resgate o amor do meu coração
para logo o preencher com o fardo da obrigação.
Mais do que o ser, és o estado da alma do ser.
A tua grandeza inunda de nada o universo do tudo.
Modelas a alma da existência no ventre do teu feminino corpo.
Num abrir e fechar dos teus olhos, fazes aparecer e desaparecer o mundo.
Abertos ou cerrados, não há olhos que não te posem ver.
Silenciosa, por de trás da tela da consciência, produzes a imagem que atrai o ser;
destinando-o a alcançar a meta da tua própria iluminação.
Por toda a parte és luz, mas como nesse mundo perfeito
faltavam as trevas, inventaste a mente num acto secreto.
Nos campos semeados de harmonia, a tua violenta beleza
rasga de amor o peito do tolo iluminado.
Para contemplar as curvas do teu corpo e o calor da tua alma,
criaste o coração dos quadrúpedes que cobrem o teu manto de sentidos;
infundistes a vida na ave para navegar no azul espaço dos teus olhos e,
ascendeste uma chama no coração do ser humano
para apreciares o recorte do teu horizonte imaculado.
És a veste do divino criador e nas tuas dobras conténs a vida;
rolam os dados no tapete do teu corpo que tem o jeito da batota.
Traquina enganadora, o teu sensual seio provoca ao amor
Diz-me então por que motivo fizeste o ser tão impotente?

Na Hungria

Quando o olhar aberto    Pousa sobre o mundo fechado    Do homem ....daqui de perto    Vê-o sobreviver ...debaixo dum telhado    T...